quinta-feira, 1 de abril de 2010

Coragem para Começar

Sem nenhuma brincadeira com a data, fiz hoje minha primeira visita a um psiquiatra. Acho que apesar da total aversão aos medicamentos que causam dependência, desta vez não estou vendo outra saída. A situação vem se arrastando por anos, com muitas perdas e desilusões. Claro que coisas boas aconteceram e não foram poucas, mas os últimos dias têm me deixado um tanto sem coragem para levantar e quando acordo tenho medo de tudo. Decidi que para acompanhar minha evolução vou escrever todo dia, porque tenho bastante medo de me alterar demais, de um jeito psycho, fora do meu “normal”.

Quem me conhece sabe que é bem raro, mas tenho reações iradas que por vezes culminam em murros em paredes ou mesas... a última dessas escolhi a parede da casinha porque o alvo era bem maior e mais forte que eu. Acabou em um pacote de suco de acerola congelado para melhorar a dor na mão e risadas do sujeito, mal sabe ele que era para ter sido na cara. É preciso me provocar muito para eu chegar a este ponto, mas acontece.

Normalmente sou uma pessoa divertida, muito amiga, de bom astral e sempre procurando ver a vida de uma maneira positiva. Essa minha faceta oculta minhas fraquezas, meu desespero e sempre que fico mal ouço que sou uma pessoa forte, que sou alegre. É muito difícil achar alguém preparado para lidar com minhas angústias. No dia a dia recorro aos meus psicólogos improvisados, que são os meus amigos. Nos últimos meses eles vêm tendo bastante trabalho.

Hoje acordei chorando, sentindo falta do Thiago, triste com o nosso não namoro. Estou sempre com a respiração curta e pouca fome, um pouco de taquicardia que ecoa no estômago vazio. Aliás tenho me preocupado com a possibilidade de desenvolver uma anorexia nervosa pois nos últimos meses perdi muito peso junto de minhas ilusões amorosas. Minhas roupas estão largas e já estou no manequim 36. Eu me nego a comprar roupas deste tamanho. Tenho q voltar a ter pelo menos mais 4 quilos, hoje devo estar com uns 59 ou 58. Os peitos estão sumindo, a bunda idem. Era para ter ido caminhar no Ibirapuera com o João, meu vizinho, amigo, massagista, muito gato. Mas estava um dia frio e chuvoso e ficamos dormindo, cada um na sua casa, não rola nada. A idéia era ficar com fome e comer como uma pessoa normal, mas não aconteceu.

Cardápio do dia: um copo de leite com chocolate quase sem açúcar, ¾ de um croissant que era para ter recheio e não tinha, 2 caixinhas de suco, um de maçã e um de soja com morango, um bombom Sonho de Valsa, alguns chicletes, uma xícara pequena de capuccino, um hamburger de calabresa congelado, um pouquinho de Coca-Cola, um Danete, tudo errado, nada saudável.

Acordei tarde, quase às 10h00, coisas de quem não está bem. Tenho procurado ter o que fazer, mas minha falta de ânimo é maior. Ligo o computador e passo horas conversando com os amigos, tentando controlar a ansiedade. Não sei se está funcionando. Amanhã começo com o remédio, que pelo que entendi deve regular meus níveis de serotonina, me acalmar e assim proporcionar uma situação em que eu me sinta mais segura para voltar à vida normal.

Quero deixar claro que vida normal significa não precisar mais usar esse remédio em breve.

O psiquiatra disse que os efeitos começam em aproximadamente uma semana, e marcamos um retorno para o dia 3 de maio. Ele me deu três caixas de amostras grátis, com 7 comprimidos cada.

Seja o que Deus quiser, é preciso coragem até para começar com tudo isso.